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CLASSIC EDU:
“O BODYBUILDING DEU-ME UM PROPÓSITO”

Eduardo Duarte fala sobre o diagnóstico de esclerose múltipla, o caminho até se tornar IFBB Pro, o segundo lugar frente a Horse, o sonho do Olympia e a nova prioridade da sua vida: ser pai.

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QUEM É CLASSIC EDU?

Eduardo Duarte, conhecido no bodybuilding como Classic Edu, treina há oito anos. A sua ligação ao treino começou aos 20 anos, quando frequentava a faculdade na área da Condição Física e Saúde.

O diagnóstico de esclerose múltipla alterou o rumo dessa etapa da sua vida. Depois de abandonar a faculdade, conheceu a história de Jota, outro atleta português com a mesma doença, e percebeu que competir também poderia ser uma possibilidade para si.

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PARA ALÉM DO PALCO

TREINAR COM ESCLEROSE MÚLTIPLA

Quando Francisco Jacinto lhe perguntou se a doença lhe provocava algumas limitações, Edu explicou que a esclerose múltipla funciona através de períodos de surto e remissão.

Durante um surto, os sintomas podem afetar o seu nível de cansaço e o funcionamento diário. Com o tratamento, esses sintomas tendem a diminuir. Quando não existem sintomas ativos, consegue manter a sua rotina normalmente.

Os treinos muito intensos podem, no entanto, afetar o sistema nervoso central, fazendo com que se sinta mais cansado durante mais tempo e que a recuperação seja mais lenta.

Edu também tem usado a sua história para dar visibilidade à esclerose múltipla. Em outubro de 2024, esteve no programa Casa Feliz, da SIC, onde falou publicamente sobre a doença e sobre o papel que o bodybuilding teve na sua vida.

“O BODYBUILDING VEIO DAR-ME UM PROPÓSITO: LEVANTAR-ME TODOS OS DIAS PARA MELHORAR UM BOCADO.”

Eduardo Duarte

UM NOVO PROPÓSITO

DA DEPRESSÃO AO PALCO

Depois de desistir da faculdade, Edu entrou numa depressão e sofreu um novo surto. Recorda-se de ver o pai ajudá-lo a vestir-se e a calçar-se, sentindo o peso da dependência num dos momentos mais frágeis da sua vida.

Foi no bodybuilding que encontrou um motivo para voltar a levantar-se todos os dias e procurar melhorar. Começou a competir na IFBB Portugal, acompanhado por Edgar, e alcançou bons resultados desde o início.

Quando experimentou a competição, ficou o “bichinho”. Não era apenas o palco que o motivava: Edu descobriu que gostava verdadeiramente de todo o processo necessário para lá chegar.

A EVOLUÇÃO

O CHOQUE DE REALIDADE NA NPC

Na IFBB Portugal, Edu estava habituado a conquistar primeiros e segundos lugares. Quando mudou para a NPC, em 2021, encontrou um nível competitivo diferente e viveu aquilo que descreve como um verdadeiro choque de realidade.

Ficou em quarto lugar no campeonato nacional, voltou a terminar aproximadamente na mesma posição no Olympia Amateur e, numa prova em Espanha, ficou em último.

Os resultados poderiam ter abalado a sua vontade de continuar. Mas, nessa altura, Edu já estava completamente ligado ao bodybuilding e sabia que gostava demasiado do processo para desistir.

UMA NOVA ETAPA

A CHEGADA DE MARCO À JORNADA

Edu esteve acompanhado por Edgar até ao ano passado. Com Edgar mais direcionado para o lifestyle e Edu ainda determinado a descobrir até onde poderia levar a sua carreira competitiva, os dois seguiram caminhos diferentes, mantendo uma boa relação.

A ligação com Marco começou a ganhar forma numa competição em Itália. Edu acompanhou de perto a finalização de Velez e identificou-se com a dinâmica entre treinador e atleta, sobretudo com o cuidado demonstrado por Marco.

No início do ano, quando estava a decidir o próximo passo, falou com Marco. O projeto foi aceite e começaram uma nova etapa de trabalho em conjunto.

PRAGUE PRO

MEDIR-SE COM O NÍVEL MUNDIAL

Antes da atual mudança de treinador, Edu competiu no Prague Pro, depois de ter alcançado o segundo lugar em Portugal. Em Praga, encontrou um alinhamento extremamente competitivo, com vários atletas de nível Olympia, e terminou fora do top 15.

Apesar da diferença de volume e densidade muscular em relação a alguns dos adversários, Edu não sentiu que o seu físico estivesse demasiado distante. Reconhece, contudo, que conquistar imediatamente um top 5 num palco onde os juízes ainda não conhecem o atleta é uma tarefa difícil.

MR. BIG EVOLUTION PRO 2025

O SEGUNDO LUGAR ATRÁS DE HORSE

Um dos temas inevitáveis da conversa foi o segundo lugar de Edu atrás de Horse, no Mr. Big Evolution Pro 2025. Uma decisão que continua a gerar discussão entre os portugueses, sobretudo entre quem considera que a dimensão de Horse enquanto figura pública poderá ter influenciado o resultado.

Edu analisou o confronto com equilíbrio. Considera que tinha vantagem ao nível da condição e das proporções, mas reconhece o impacto do volume muscular de Horse em palco, sobretudo nas pernas.

Depois de retirar o coração da análise, admite que a decisão poderia ter pendido para qualquer um dos lados. A proximidade entre os dois ficou evidente nos três confrontos realizados apenas entre ambos.

“TIRANDO O MEU CORAÇÃO DA JOGADA, ACHO QUE PODIA PESAR PARA OS DOIS LADOS.”

Eduardo Duarte sobre o confronto com Horse

SONHOS E PRIORIDADES

O OLYMPIA CONTINUA A SER UM SONHO

Durante os confrontos frente a Horse, a possibilidade de chegar ao Olympia passou várias vezes pela cabeça de Edu. Estar tão próximo de uma vitória fez com que percebesse que esse objetivo não seria impossível.

Mas as condições da sua vida estão agora a mudar: Edu e Adriana vão ser pais de uma menina, Matilde. Se conseguir conciliar a presença na vida familiar com a carreira competitiva, continuará a perseguir esse sonho. Se tiver de escolher entre os dois, garante que a decisão será simples.

“Se conseguir conciliar as duas coisas, claro. Mas, se tiver de fazer uma escolha, a escolha é simples.”

O FUTURO DA MODALIDADE

“QUALIDADE NÃO FALTA”

Para Edu, o fisiculturismo português está num bom caminho. A presença internacional de atletas como Mauro Coelho e Diogo Resende, nomeadamente nos Estados Unidos, está a dar maior visibilidade ao nosso país.

Ainda assim, reconhece que Portugal continua longe do nível de exposição de outros mercados. Na sua opinião, falta aos atletas portugueses uma postura diferente nas redes sociais e uma maior capacidade para divulgarem o próprio trabalho.

A qualidade existe. O desafio está em mostrá-la: quanto mais os atletas comunicarem e partilharem o seu percurso, maior será o interesse criado à volta da modalidade.

A CONVERSA NÃO FICOU POR AQUI

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Estes foram apenas alguns dos momentos mais marcantes da conversa. Assiste ao episódio completo do Carga Máxima para conheceres melhor a história, o percurso e a mentalidade de Eduardo Duarte.

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